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Você sabe a diferença entre Softwares Bespoke, Off-the-Shelf e SaaS?

Entender esses modelos vai muito além da escolha da tecnologia: envolve arquitetura, custos, governança, escalabilidade e impacto direto no ciclo de vida do software.
11 de fevereiro de 2026 por
Você sabe a diferença entre Softwares Bespoke, Off-the-Shelf e SaaS?
Luiz Fernando Borges da Costa
4 minutos de leitura

Em um cenário de transformação digital acelerada, escolher um software deixou de ser uma simples decisão operacional para se tornar um elemento central da estratégia de tecnologia das organizações. A forma como um sistema é adquirido, desenvolvido ou consumido impacta diretamente decisões arquiteturais, modelos de custo (CAPEX vs. OPEX), governança de TI, segurança da informação e a capacidade de evolução contínua das soluções. Para times de desenvolvimento, essa escolha também influencia padrões de integração, dependência de fornecedores, autonomia técnica e o nível de controle sobre o roadmap do produto.  

Os modelos Bespoke, Off-the-Shelf e SaaS representam abordagens distintas de entrega de software, cada uma com premissas técnicas, vantagens e limitações bem definidas. Enquanto soluções sob medida priorizam aderência total aos processos de negócio e flexibilidade arquitetural, softwares de prateleira e plataformas SaaS apostam na padronização e na escala como forma de reduzir tempo de implementação e custos iniciais. No entanto, essas escolhas carregam trade-offs importantes, como limitações de customização, riscos de lock-in tecnológico e impacto no custo total de propriedade (TCO) ao longo do tempo.  

Para profissionais de TI, compreender essas diferenças vai além de saber “o que é” cada modelo. Trata-se de avaliar como cada abordagem se comporta diante de requisitos não funcionais, como desempenho, segurança, disponibilidade e escalabilidade, e como elas se encaixam no contexto da arquitetura corporativa existente. É a partir dessa análise que se evita a adoção de soluções inadequadas que embora rápidas no curto prazo, se tornam pontos críticos no médio e longo prazo.

Software Bespoke (Sob Medida)


O software sob medida (ou bespoke) é desenvolvido especificamente para atender às necessidades exclusivas de uma organização. Diferente de soluções genéricas, ele é concebido desde o início com base nos fluxos de trabalho e requisitos do cliente. Assim como uma peça de roupa feita sob medida, o sistema “se molda” ao negócio e não o contrário. Essa abordagem exige um ciclo de desenvolvimento completo (levantamento de requisitos, design, implementação e testes) antes da entrega, garantindo que todas as funcionalidades reflitam processos reais da empresa.

  • Exemplos: sistemas internos de logística adaptados à operação de uma empresa; plataformas exclusivas de atendimento ao cliente; ERPs ou CRMs desenvolvidos com regras específicas de negócio.
  • Quando usar: é indicado quando há processos muito específicos, complexos ou inovadores que não cabem em soluções padrão. Startups que buscam diferenciação e empresas com alto grau de customização (como indústrias, saúde ou serviços sob demanda) se beneficiam desse modelo. Embora o investimento inicial seja maior, o software personalizado oferece flexibilidade total e pode gerar ganhos de longo prazo, pois é propriedade intelectual da própria empresa.

Software Off-the-Shelf (Pronto para Uso)


O software de prateleira (off-the-shelf) é uma solução padrão desenvolvida para o mercado amplo. Ele já vem pronto para uso (“plug and play”) e é vendido em escala, com pouca ou nenhuma personalização prévia. Usuários podem adquirir licenças ou assinaturas e começar a utilizar rapidamente, com processos de implementação simples. Essa categoria inclui desde pacotes de escritório até ERPs comerciais.

  • Exemplos: Suítes de escritório, sistemas de gestão financeira, CRMs genéricos e ERPs populares.
  • Quando usar: é indicado para empresas com necessidades genéricas ou processos comuns, que buscam soluções rápidas e de menor custo inicial. Em operações de porte pequeno ou médio, onde os requisitos não diferem muito do padrão de mercado, software de prateleira proporciona agilidade na implementação e menor investimento inicial. A desvantagem é que a personalização é limitada, exigindo às vezes que a empresa adapte seus processos ao software.


SaaS (Software Como um Serviço)


O SaaS (Software as a Service) é um modelo de software baseado em nuvem, acessado pela internet via assinaturas mensais ou anuais. Nesse caso, o provedor hospeda e mantém o sistema, liberando o usuário das preocupações com infraestrutura, atualizações ou segurança. O SaaS já vem praticamente pronto para uso, sendo ideal para quem precisa de solução ágil e escalável sem se preocupar com instalação.

  • Exemplos: Serviços de e-mail e colaboração, plataformas de videoconferência, CRMs e automação de marketing na nuvem. Essas aplicações permitem que equipes acessem as ferramentas de qualquer lugar com internet, sem manter servidores próprios.
  • Quando usar: adequado para empresas que buscam implementação rápida, baixo custo inicial e não têm requisitos extremamente específicos. Startups e operações em fase inicial frequentemente optam por SaaS por sua praticidade. A manutenção é totalmente do provedor, o que reduz a carga de TI interna. Por outro lado, à medida que a empresa cresce, as despesas de assinatura podem aumentar e a falta de customização aprofundada pode exigir “gambiarras” ou integração de múltiplos serviços.


Comparação Técnica dos Modelos


A escolha entre os três modelos deve considerar custo, flexibilidade, tempo de implementação, manutenção e escalabilidade. A seguir, um resumo comparativo:

  • Custo: Software sob medida exige alto investimento inicial (desenvolvimento próprio), mas dispensa licenças recorrentes e pode sair mais barato no longo prazo. Software de prateleira tem custo inicial baixo (compra de licença), porém há gastos contínuos com atualizações e suporte. O SaaS inicia com baixo custo (assinatura), mas gera despesas fixas crescentes conforme aumentam usuários e recursos.  

  • Flexibilidade/Personalização: Sob medida oferece máxima flexibilidade, ou seja, tudo pode ser ajustado às regras do cliente. O off-the-shelf é rigido: tem configurações limitadas, forçando processos padrão. O SaaS permite certa configuração, mas dentro dos limites definidos pelo fornecedor; personalizações profundas são raras. 

  • Tempo de Implementação: Software sob medida leva muito mais tempo (meses de desenvolvimento). Em contrapartida, soluções de prateleira podem ser implantadas em dias ou semanas. O SaaS é ainda mais ágil: bastam horas ou poucos dias para contratação e configuração básicas. 

  • Manutenção: No modelo sob medida, a própria empresa (ou o fornecedor escolhido) é responsável por manter, atualizar e suportar o software. No off-the-shelf, o usuário instala atualizações fornecidas pelo fabricante, mas tem certa dependência de seu calendário de lançamentos. Já no SaaS, o próprio provedor cuida de toda a manutenção e segurança, liberando o cliente dessas tarefas.  

  • Escalabilidade: Sistemas sob medida podem ser desenhados para crescer conforme a empresa expande, sem limites pré-definidos. Softwares de prateleira têm escalabilidade limitada pelas versões ou módulos oferecidos pelo fabricante. Serviços SaaS, por sua vez, geralmente escalam bem, pois rodam em nuvens elásticas gerenciadas pelo provedor. Contudo, o aumento de usuários costuma elevar o custo das assinaturas.  

Cada modelo tem vantagens e limitações. O software sob medida é custoso, porém entregue sob o exato perfil do negócio, garantindo alto controle e potencial otimização interna. O off-the-shelf sacrifica customização pela rapidez de implantação e menor investimento inicial. Já o SaaS destaca-se pela agilidade e pela terceirização de operações de TI, embora pode criar dependência de terceiros e custos recorrentes que crescem com a escala. Profissionais de TI devem analisar cuidadosamente o momento da empresa, a complexidade dos processos e o orçamento disponível antes de optar por um desses modelos.



Sobre a YasNiTech


Fundada em 2013 por ex-profissionais da IBM, a YasNiTech é uma empresa global de tecnologia com unidades em São Paulo, Boston (EUA) e Sansepolcro (Itália). Desde a sua origem, consolidou-se rapidamente no mercado brasileiro entregando soluções inovadoras em combate a fraudes, prevenção de perdas e business analytics.  

Com o passar dos anos, a empresa expandiu seu portfólio, incorporando iniciativas em plataformas Low-Code, digitalização e automação de processos. Entre suas inovações, introduziu ao mercado brasileiro a primeira ferramenta de Digitalização de Processos de Negócios Multi-Empresas (Multi-Enterprise Business Process Digitalization), impulsionando a colaboração digital no Supply Chain.  

Em sua fase atual, a YasNiTech se posiciona na vanguarda da Inteligência Artificial, com foco especial em Agentic AI. A empresa desenvolve soluções inteligentes e autônomas que potencializam a tomada de decisão, a eficiência operacional e a inovação em múltiplos setores da economia, como saúde, farmacêutico, logístico e industrial.